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Filho do Vereador Neguinho de Edivaldo emite opinião sobre a aprovação das contas do ex-prefeito Tota Guedes.

Pedro Higor e seu pai vereador
 Erivonaldo
Vergonha. Acho que essa é uma boa palavra para descrever minha reação ao saber do resultado da votação em relação a aprovação das contas do ex-prefeito de Pedra Lavrada, José Antônio Vasconcelos da Costa.

Anteriormente a essa notícia eu havia visto que o Tribunal de Contas da União(TCU) encontrou irregularidades nas contas do antigo gestor, mas eu não vim falar sobre isso, acho que a maioria já deve ter lido a respeito.

Depois de um episódio, ocorrido na cidade, em que o ex gestor citou meu pai, o Vereador Erivonaldo Macedo Oliveira, e o acusou de receber dinheiro de um deputado para que ele o apoiasse, cresceu em mim um sentimento maior de indignação sobre o que eu poderia descrever como: o derramamento do conteúdo do intestino grosso do locutor nos ouvidos da plateia, mas que outros poderiam chamar de “discurso”.

Honra, honestidade e lealdade. Esses são alguns dos valores que o meu pai recebeu em sua educação e que ele tem me passado até hoje. Sempre achei esses valores admiráveis nele e também que seriam valores que as pessoas admirariam e por essa razão o escolheram para ser seu representante. Eu posso falar isso porque conheço o meu pai verdadeiramente bem. Se o antigo gestor o conhecesse assim, ele não teria falado aquilo.

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Aparentemente o senhor José Antônio não compactua com tais valores, quero acreditar que seus pais tentaram passar esses valores, mas depois que se sai de casa não se pode garantir que o filho os irá resguardar. De acordo com o parecer do TCU o antigo gestor teria que devolver “1,3 milhão, por irregularidades ocorridas durante a execução do convênio 0026/07”, para mim esse fato já o descaracterizaria desses três valores, para mim isso não é usar de honestidade, poderia alguém que apresenta “irregularidades” em suas contas ser leal ao povo que o escolheu como representante? Será que a honra de alguém não seria manchada com tantas “irregularidades” em seu histórico?

Por saber da decisão do TCU é que tentei compreender melhor o “porque” das contas do ex-prefeito terem sido aprovadas na câmara, o “porque” dos vereadores terem discordado dos juristas profissionais e colaboradores que fizeram o estudo do caso, que lógica e argumentação maravilhosa eles teriam discorrido, para tal fui ouvir os argumentos usados pelos que votaram favoráveis a aprovação.

Os votos dos vereadores foram bem concisos, mas sempre tem coisas que conseguimos pegar nas falas dos Excelentíssimos Legisladores do nosso município, o Vereador Junior falou que votava com coerência, claramente ele não fazia uma referência a coerência linguística de sua fala, mas da coerência de seus argumentos, mas a verdadeira pergunta é: não seria coerência com a decisão do TCU, não é? Porque em minha opinião e pelos meus conhecimentos, “irregularidades” não se caracterizam como fatores favoráveis a uma aprovação de contas. Então pode ser que o nobre Vereador estava sendo coerente com suas ideologias partidárias e políticas, com suas convicções pessoais, com qualquer outra coisa, mas com a decisão geral do TCU eu acho que não, quero acreditar que ele não votava coerente com o desvio, para mim ele PARECE uma pessoa consciente.

Outra fala interessantíssima que eu achei foi a da vereadora Lena Buriti, “Quem somos nós para atirar a primeira pedra?”, meus caros leitores, observem na fala da vereadora que essa frase foi dita em um contexto criado por ela, (tem meu respeito uma pessoa que cita Maquiavel em sua fala, apesar de a frase não ter contextualizado com a situação, visto que ninguém “morreu”, vi apenas salvos condutos e beatificação), como observado por ela é um contexto criado anterior a eleição do ex-prefeito, muito bem, me pergunto se as contas do antigos gestor, anterior ao senhor José Antônio, foram votadas? Acho que sim e espero que os vereadores não tenham votado com a mesma “destreza” que votaram nessas. Mas o que se vota não são as contas do passado e sim as atuais. Em relação as “pedras” temos o seguinte:

Os senhores têm a obrigação de defender o povo que os elegeu, eu não entendo como ser duro ou fazer críticas a alguém que usou de má fé do seu cargo para benefício próprio as custas da verba pública, poderia ser chamado de “atirar pedras”. Provavelmente nessa analogia feita pela senhora Vereadora, ela seria Jesus, o nosso antigo gestor seria Maria Madalena e os críticos os apedrejadores. Apesar da bela moral presente na história, Maria Madalena ainda tinha culpa e o que Jesus condenou foi a forma como a trataram pelos seus pecados, sem a menor “justiça” ou equidade. Mas como nossos leitores já devem ter percebido José Antônio não é Maria Madalena e a vereadora Lena, muito menos é Jesus. O que a vereadora não deve ter observado é que no sistema jurídico brasileiro não usamos mais as velhas formas de “justiça”, e tenho certeza que o TCU não usa argumentos vãos e se preocupa com a equidade e veracidade de seus julgamentos e pareceres.
A vereadora deve ter esquecido de uma parte bem interessante da sua leitura de Maquiavel (Possivelmente, ela deve ter lido a obra completa para não ficar jogando frases sem saber o contexto em que foram escrita) que é a do raciocínio lógico e o desprendimento dos sentimentos em seu julgamento, usamo-nos agora de uma expressão semelhante “pensar friamente”, em suas palavras não pude perceber o desprendimento desses sentimentos no seu julgamento, eu particularmente não acredito que alguém possa se desprender de suas convicções pessoais para fazer qualquer coisa que seja, mas como o uso de Maquiavel foi evidente, decidi aproveita-lo.
Para falar a verdade, achei muito nobre a justificativa do Vereador Nivaldo: Gratidão. Gratidão por ele ter ajudado SUA família, não é gratidão por ele ter sido um gestor tão bom que pode disponibilizar esses tratamentos pelos SUS, que infelizmente quem não baixar a cabeça para o prefeito tem que usar. Vejam o grande bem que o senhor prefeito fez a família do Vereador, imagine quão grande seria o bem feito com o 1,3 milhão que ele poderia ter devolvido, caso fosse outra a decisão da câmara.

Em outra fala, achei que a representante feminina em nossa Câmara foi bem feliz em suas palavras ao dizer, que as pessoas deveriam ser Humanas e que acreditava que ninguém dos vereadores recebia dinheiro sujo, parafraseando suas palavras. Eu só acho triste que uma pessoa que tenha tal pensamento apoie alguém que pratica totalmente o contrário. Subir em um palanque para difamar uma pessoa de bem, não é ser Humano, ser julgado culpado por irregularidades no trato do dinheiro público, não é ser Humano, usar dinheiro público para pagar hospedagem em hotel, enquanto existem pessoas sem uma casa para chamar de sua, não é ser Humano. Ser Humano não é alisar a cabeça de quem erra, ser Humano, para mim é fazer com que a pessoa veja a gravidade do seu erro, pague com equidade por aquilo que fez e veja a necessidade de mudança e tente mudar, isso é ser humano para mim.
Em sua fala o vereador Neguinho do Cordeirão, elenca várias obras da gestão, eu não entendo o que tem de referência com o julgamento, mas possivelmente ele deve estar fazendo uma referência a fala da vereadora Lena, “Os fins justificam os meios”. Em seu pensamento o nobre vereador deve ter pensado, “Ele desviou, mas fez obras. Isso é que é importante”. Pois é, não sei se o nobre vereador pensou isso, mas eu já ouvi da boca de muita gente isso, não em relação ao senhor José Antônio, deve ser o pensamento também de quem bate palmas para o desvio. Bem, o que será que vai trazer de desenvolvimento para o Brasil esse pensamento? Alguém me responde, eu não sei. E a sessão continua.

O Vereador Tota foi muito feliz quando disse que palavras tem poder e que nós temos que ter consciência do que falamos e apresentar coerência em nossas falas, gostaria de pedir ao excelentíssimo Legislador municipal que tentasse fazer com que esse pensamento fosse colocado no raciocino do antigo prefeito quando ele se pronunciar em público, parafraseando suas palavras nobre Vereador, quando alguém fala que alguém recebe dinheiro para dar apoio isso seria denunciando a pessoa a polícia? Quem tem processos investigando suas irregularidades com o dinheiro público não é meu pai, acho difícil achar alguém em Pedra Lavrada que chame meu pai de desviador de verbas, mas nós conseguimos achar um órgão Federal para julgar o antigo gestor por suas “irregularidades”. Em relação a observação sobre o curral eleitoral, o senhor fala que não é animal irracional para estar em curral, vamos observar em lato sensu os termos utilizados, como educador o senhor deve conhecer a história brasileira e a origem dessa terminação. Por sinal, acho que pouca capacidade lógica é necessária para dizer que um jurista está fazendo um julgamento correto, afirmar o contrário é como dizer a um médico que seu diagnóstico está errado, simplesmente por você achar isso. Ambos estudaram para isso e sabem o que estão fazendo, na esmagadora maioria dos casos.

A “belíssima” sessão terminou com o Vereador Guri tendo a dignidade de não falar nada e tentar ser imparcial como presidente e protetor da ordem na plenária. Com toda essa situação eu me lembro dos comentários que fizeram quando Tiririca foi eleito deputado. Que ele iria para lá para não fazer nada e que continuaria sendo um palhaço, no fim de seu mandato ele foi colocado como um dos 25 melhores parlamentares do país em um universo de mais de 500. Por essas e outras eu continuo a me perguntar, será que o Brasil vai continuar se invertendo dessa forma: com um palhaço que faz o papel de legislador e com legisladores que fazem papel de palhaço?

Pedro Higor Silva Oliveira