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26 de abr. de 2015

Executiva mais bem paga dos EUA investe em biotecnologia e robôs, fundou uma religião e mudou de sexo

Mulher mais bem paga do mundo aposta em robô com consciência

Martine Rothblatt é a executiva mais bem paga dos EUA. Mas talvez isso não seja nem de longe o fato mais interessante de sua vida.
Ela fundou uma empresa de biotecnologia para salvar a filha doente, após revolucionar a indústria de comunicação via satélite. Também criou uma religião e um robô com consciência própria, além de mudar de sexo.

Martine nasceu Martin e hoje ela espera viver centenas de anos através de suas novas apostas tecnológicas: um estoque ilimitado de órgãos para transplante e clones da mente humana. "Há tantas coisas para fazer nesta vida. E se pudermos ter um clone digital [...] que nos ajude a processar livros, filmes, fazer compras, ser nossos melhores amigos?", disse Rothblatt, 60, no mês passado.

Ela foi uma das convidadas do TED (evento que reúne as principais novidades em tecnologia e design), entrevistada pelo anfitrião da casa, Chris Anderson. "Numa conversa normal, isso tudo soaria como maluquice. Mas, no contexto de sua vida, eu não apostaria contra", disse o curador.

Nos anos 1980, Rothblatt iniciou uma série de parcerias em lançamentos de satélites, ajudando a acabar com um monopólio de telecomunicações e criando o primeiro serviço de localização de carros, a GeoStar. Em 1990,

fundou um sistema de rádios para carros via satélite, a Sirius Radio. "Sempre amei tecnologia espacial. Satélites são meio como as canoas de nossos ancestrais. Eu acho excitante fazer parte dessa navegação dos oceanos dos céus", disse Rothblatt, neta de imigrantes judeus do Leste Europeu, cujo
pai era dentista, e a mãe, fonoaudióloga.

REVIRAVOLTA

Mas a vida deu uma reviravolta no fim dos anos 1990, quando Rothblatt passava por uma mudança de sexo, com o apoio da mulher, Bina, e a filha de cinco anos do casal era diagnosticada com hipertensão arterial pulmonar, uma doença incurável.

A executiva passou a estudar biologia do zero, até saber o suficiente para ter esperanças em achar uma cura. Ela passou a financiar pesquisas sobre a doença e fundou a United Therapeutics. Na época, soube de uma droga experimental que estava nas mãos do laboratório Glaxo Wellcome, que havia decidido não levá­la adiante.

"Eles bateram a porta na minha cara três vezes. Quando finalmente concordaram em vender, disseram que não tinham esperança nenhuma e que sentiam pela minha filha", disse Rothblatt, que comprou a droga, então só testada em ratos, por US$ 25 mil. "Recebi um saco plástico com um pó e o papel da patente. O mais incrível é que aquele pó sem valor hoje não só mantém vivas minha filha e outras
pessoas como também produz quase US$ 1,5 bilhão em receita."A United Therapeutics lhe rendeu US$ 38 milhões em 2013, segundo a"Forbes".

Mas, como a droga apenas retarda o progresso da doença, logo Rothblatt começou a pensar em novas soluções. Segundo ela, 3.000 pessoas morrem por ano nos EUA devido à hipertensão pulmonar, e para essa e outras doenças pulmonares a única solução é transplante de pulmão. "Assim como mantemos carros e edifícios funcionando para sempre [...] por que não podemos criar um estoque ilimitado de órgãos para transplante para que as pessoas vivam por tempo indeterminado?", disse a executiva, casada com Bina há 33 anos.

Em 2003, Rothblatt se juntou a Craig Venter, pioneiro do genoma humano, para criar porcos geneticamente modificados, numa fazenda, a fim de que seus pulmões e outros órgãos possam ser transplantados em humanos, num futuro bem próximo.

CRIANDO ROBÔS

Rothblatt tem planos também para replicar a mente humana, num experimento que ganhou forma de um robô que tem o rosto de Bina e todas as suas facetas, as suas memórias e os seus gostos. "Ela [o robô] é como uma criança de dois anos. Às vezes suas respostas são frustrantes, às vezes, surpreendentes", disse. Com ajuda de uma empresa de robótica, ela trabalha num sistema de "arquivo
mental", uma coleção de memórias, maneirismos, crenças, sentimentos e tudo mais que despejamos na internet, como buscas on­line e posts em redes sociais. "Uma vez que tivermos um software capaz de recapitular a consciência, seremos capazes, nas próximas décadas, de reviver a consciência humana, que estará no nosso 'arquivo mental'", acredita.

Foi pensando nas potenciais crises éticas de tantas transformações tecnológicas que ela começou a religião Terasem, uma mistura de judaísmo com entusiasmo tecnológico, que apoia pesquisas em campos como nanotecnologia e criogenia (estudo de organismos em temperaturas muito baixas).

Bina estava na plateia do TED e foi chamada ao palco por Anderson. "Tem sido uma jornada extraordinária", disse. "Queremos criogenizar nossos corpos e acordarmos juntas." Rothblatt abraçou a mulher e se declarou: "A perspectiva de clones da mente e corpos regenerados é para que nosso caso de amor dure para sempre".

FORMAÇÃO

Graduação em comunicação e direito na Universidade da Califórnia; doutora em ética médica na Universidade de Londres

EMPRESAS QUE CRIOU

United Therapeutics, SiriusXM Radio, WorldSpace, GeoStar

REMUNERAÇÃO

Em 2013, teve ganhos de US$ 38 milhões

Folha de S. Paulo

3 de fev. de 2015

COMEÇOU! Robôs escrevem 2 mil reportagens por segundo!

Uma das maiores agências de notícias do mundo está há meses distribuindo textos que foram escritos por robôs. Isso ocorreu ontem, por exemplo, quando a Apple divulgou seus resultados financeiros trimestrais e as reportagens que apareceram na CNBC e no Yahoo, entre outros, saíram da Associated Press por “mãos” automatizadas.

Segundo o Verge, faz seis meses que a AP implementou o sistema, que hoje é responsável pela elaboração e publicação de 3 mil textos como o que repercutia o anúncio da Apple. Até outubro, a produção ainda passava por algum tipo de edição, agora a máquina é capaz de fazer todo o trabalho sozinha.

As matérias, claro, não são tão elaboradas e criativas como as humanas. Mas textos sobre resultados financeiros são basicamente um amontoado de números, então, quanto mais frios, melhor a compreensão da informação, e de frieza as máquinas da AP entendem.

A tecnologia por trás disso se chama Wordsmith e foi criada pela Automated Insights. As notas são objetivas e geralmente bem escritas, o leitor pode acreditar que foram produzidas por um humano até chegar ao final, onde, ao invés de uma assinatura, vem a informação de que aquilo saiu de um robô.

A Wordsmith gera milhões de artigos por semana para parceiros como Allstate, Comcast e Yahoo (onde parte da cobertura esportiva é automatizada). Se necessário, a plataforma pode chegar à produção de 2 mil textos por segundo.

http://olhardigital.uol.com.br/noticia/veiculos-comecam-a-usar-robos-que-escrevem-materias/46524

25 de jan. de 2015

Cinco especialistas explicam como a inteligência artificial pode acabar com a humanidade

Na semana passada, cientistas se movimentaram para assinar esta carta aberta. Basicamente, a proposta pede que a humanidade dedique uma porção da sua pesquisa em inteligência artificial para “alinhá-la aos interesses humanos”. Em outras palavras, vamos tentar não criar nós mesmos os Cavaleiros do Apocalipse, né pessoal?
Embora alguns cientistas revirem os olhos a qualquer menção a uma Singularidade, muitos especialistas e tecnólogos – como, digamos, Stephen Hawking e Elon Musk – vêm nos alertando sobre os perigos que a IA pode representar no futuro. Mas embora recomendem a busca por conhecimento na área com cautela, eles são um pouco menos claros sobre o que exatamente estão tentando alertar.
Felizmente, outros cientistas não fazem cerimônia na hora de pintar o cenário do caos. Aqui estão cinco das mais ameaçadoras profecias de destruição pela singularidade que nossas mentes mais brilhantes temem que possam acontecer.

As máquinas tomarão nossos empregos

O primeiro impacto da tecnologia
Daniel Dewey, pesquisador no Instituto do Futuro da Humanidade, pega carona no pensamento de Armstrong na Aeon Magazine. Afinal, se e quando os humanos ficarem obsoletos, viraremos apenas pedras nos sapatos metafóricos dos robôs.
. “Mas nessa diferença reside o contraste entre sete bilhões de habitantes e um lugar permanente na lista de espécies ameaçadas. Ou seja, é possível que uma vantagem intelectual relativamente pequena se agrave rapidamente e torne-se um fator decisivo.”
... “O problema básico é a forte percepção de que a maioria das motivações é incompatível com a existência humana,” diz Dewey. “Uma IA pode querer fazer certas coisas com a matéria para alcançar um objetivo, coisas como construir computadores gigantes, ou outros projetos de engenharia de larga escala. Essas coisas podem envolver etapas intermediárias, como dilacerar a Terra para construir enormes painéis solares. Uma super-inteligência pode não levar os nossos interesses em conta nessas situações, da mesma forma que não ligamos para sistemas de raízes e colônias de formigas quando vamos construir um prédio.”
Você poderia dar a ela uma meta benevolente – algo fofinho e utilitário, como maximizar a felicidade humana. Mas uma IA pode achar que a felicidade humana é um fenômeno bioquímico. Ela pode achar que inundar a nossa corrente sanguínea com doses não letais de heroína é a melhor forma de maximizar a nossa felicidade.

A inteligência artificial não será tão inteligente

“Estou especialmente preocupado com o possível uso militar de sistemas de armas robóticas – sistemas que podem tomar a decisão de entrar em uma batalha sem intervenção humana --, precisamente porque a IA atual não é muito boa e pode facilmente piorar uma situação, com consequências potencialmente aterrorizantes,” disse o Professor Bishop.
“Então é fácil concordar que a IA talvez represente uma ‘ameaça existencial’ real à humanidade sem ter que imaginar que ela algum dia chegue ao nível de inteligência super humana,” disse. Devemos temer a IA, mas pelos motivos contrários aos dados pelo Professor Hawking, explicou.

A síndrome de Wall-E

Nós notamos que a raça humana pode facilmente se permitir manter em uma posição de tamanha dependência das máquinas a ponto de não ter uma escolha prática que não a de aceitar todas as decisões das máquinas. Na medida em que a sociedade e os problemas que ela enfrenta se tornam mais e mais complexos - e as máquinas, mais e mais inteligentes - as pessoas deixarão que máquinas tomem as decisões por elas, simplesmente porque decisões feitas por máquinas trarão resultados melhores que as tomadas por humanos. Em certo ponto, talvez seja alcançado um estágio no qual as decisões necessárias para manter o sistema funcionando serão tão complexas que seres humanos serão incapazes de tomá-las de maneira inteligente. Nesse ponto, as máquinas estarão efetivamente no controle. As pessoas não conseguirão desligá-las, porque serão tão dependentes que o desligamento equivaleria ao suicídio.

Os robôs irão nos devorar

Se as máquinas da nanotecnologia – que podem ser cem mil vezes menores que o diâmetro de um fio de cabelo – descobrirem como se replicar espontaneamente, isso naturalmente traria implicações medonhas à humanidade 
Se a nanotecnologia desenvolver um apetite pode carne humana – ou alguma das outras coisas de que dependemos para sobreviver, como florestas ou máquinas --, ela poderia dizimar tudo no planeta em questão de dias. Esses minirrobôs famintos poderiam transformar o nosso lar azul e verde em uma bola cinzenta
Fonte: http://www.msn.com/pt-br/noticias/ciencia-e-tecnologia/cinco-especialistas-explicam-como-a-intelig%C3%AAncia-artificial-pode-acabar-com-a-humanidade/ar-AA8nVSF?ocid=mailsignoutmd

25 de fev. de 2014

17 de fev. de 2014

O Facebook sabe quando você vai assumir um relacionamento


São Paulo -- O Facebook liberou uma série de dados em comemoração ao Dia dos Namorados americano, que aconteceu na última sexta-feira. Um deles mostra que a rede social pode prever quando alguém vai assumir um novo relacionamento.

As estatísticas acumuladas pelo Facebook mostram que, na fase de aproximação, quando duas pessoas começam a se relacionar, as interações entre elas na internet aumentam continuamente.

Em média, essa fase dura uns 90 dias. No final do período, o volume de interações atinge a média de 1,67 posts por dia.

Poucos dias antes de o estado das duas pessoas mudar na rede social de “solteiro” para “em um relacionamento”, porém, há uma queda abrupta no volume de interações.

A queda continua depois da mudança, até que o volume diário de posts chegue à média de 1,53.

“Mas não desanime por causa da redução nas interações online. O conteúdo dessas interações fica mais carinhoso e positivo”, diz Carlos Diuk, cientista de dados do Facebook, num artigo no blog Facebook Data Science.

Diuk diz presumir que, quando o relacionamento é assumido, “os casais decidem passar mais tempo juntos. As interações online são substituídas pelas interações físicas”, o que explicaria a redução na comunicação via rede social.
                                                                                                                  Facebook
Gráfico mostrando interações entre casais no Facebook quando o relacionamento é assumido
Início de namoro: as interações no Facebook aumentam na fase de conquista, mas caem pouco antes de o relacionamento ser declarado na rede social



Hora da separação

Em outro post no Facebook Data Science, Adrien Friggeri, também cientista de dados, analisa o momento oposto: aquele em que há uma separação.

As estatísticas mostram que, no dia em que alguém muda seu estado de “em um relacionamento” para “solteiro”, há um forte aumento em suas interações online.

O volume de interações diminui com rapidez, mas se estabiliza num patamar mais alto que o de antes do rompimento. 

“Isto parece estar ligado com o fato de as pessoas receberem apoio dos amigos quando precisam, seja na forma de mensagens pessoais, posts na linha do tempo ou comentários”, diz Friggeri.

Essas estatísticas demonstram, mais uma vez, a que ponto a vida pessoal é retratada nas redes sociais. Os dados foram coletados pelo Facebook anonimamente.

Mas eles mostram que alguém com acesso à conta de uma pessoa poderia detectar, com base nas interações dela, quando ela vai assumir um novo relacionamento amoroso.

Facebook
Gráfico mostrando interações no Facebook quando um relacionamento é rompido
Fim de jogo: no rompimento, as interações dos envolvidos no Facebook aumentam muito e depois caem para um patamar superior ao anterior


Maurício Grego

15 de fev. de 2014

Moeda virtual bitcoin começa a ganhar espaço no comércio brasileiro

Hostel em Florianópolis e bar em SP já aceitam pagamentos do tipo.
Taxa de transações é atraente, mas volatilidade da cotação pode ser risco.


O programador André Horta, de 30 anos, levou seu Honda Fit a uma oficina de Belo Horizonte para uma revisão mecânica que custou R$ 430. Para quitar a fatura, André não usou cartão de débito ou crédito, cheque ou mesmo dinheiro vivo. O pagamento nem foi feito exatamente em reais. Diego Silva, o dono da concessionária, recebeu um total de 0,22 bitcoins, a moeda virtual mais conhecida da internet e que pode ser um modelo para uma revolução nos meios de pagamentos e recebimentos em todo o mundo.
A transação só foi concretizada após uma conversa demorada, pois houve desconfiança do estabelecimento de Silva.
"O que ajudou muito foi que [o dono da oficina] podia receber na conta bancária dele em dinheiro", diz André.
Mas por que então não fazer uma simples e usual transferência bancária? Justamente porque, respondem os defensores e entusiastas do bitcoin, não há bancos como intermediários. A moeda que só existe no ambiente virtual foi criada há apenas 4 anos e circula por meio de transações entre "carteiras" que existem nos computadores dos usuários. Também não há controle de nenhum banco central do mundo. Para especialistas, o bitcoin pode não durar, mas seu modelo deve permanecer.
Reza a lenda – e tudo realmente indica que seja somente uma lenda – que tudo começou com um japonês chamado Satoshi Nakamoto, com 37 anos na época. Ninguém nunca o viu pessoalmente e acredita-se que ele represente um grupo do setor financeiro europeu. O enigmático "criador" do bitcoin é também o maior detentor da moeda no globo: com mais de 1 milhão de BTCs, a fortuna virtual do "suposto" Nakamoto poderia valer mais de US$ 1 bilhão (R$ 2,35 bilhões). Curiosidade: o significado do nome Satoshi, em japonês, é "sábio".
Já os governos da China e da Tailândia proibiram o bitcoin. O motivo oficial é o temor de que a moeda seja usada em lavagem de dinheiro. Sua ampla utilização na "Silk Road" (Rota da Seda), um "esconderijo" na internet onde se comercializam drogas e armas, também deu uma pinta marginal à moeda, o que vem causando problemas para o avanço do bitcoin. No final de janeiro, o vice-presidente da fundação Bitcoin deixou o cargo após ser preso acusado de lavagem de dinheiro e de ligações com a Rota da Seda. A Apple retirou sem explicações um aplicativo de carteira digital de sua loja virtual.Em janeiro, a revista "Bloomberg Businessweek" perguntou: "Por que investidores estão tão loucos por uma moeda alternativa criada por um fantasma?" Em um recente relatório para investidores, o tradicional Bank of America respondeu: "Acreditamos que a moeda possa se transformar em um grande meio de pagamento para o comércio eletrônico e se tornar uma séria competidora a instituições de transferências tradicionais". E Ben Bernanke, que acaba de deixar a presidência do poderoso Federal Reserve, o banco central dos EUA, deu uma bênção cautelosa: "Talvez seja uma promessa a longo prazo".
Café em Vancouver, no Canadá, que aceita Bitcoins (Foto: Andy Clark/Reuters)Café em Vancouver, no Canadá, que aceita bitcoins
(Foto: Reuters)
O Banco Central brasileiro declarou em nota ao G1 que o assunto não tem importância no momento. "A própria lei estabelece que sejam regulados apenas os arranjos de pagamentos que, segundo avaliação técnica, possam ter importância sistêmica. O BC analisou o emprego de bitcoins e, por ora, considera que ele não é de relevância para o sistema financeiro brasileiro".
Há vantagens e também riscos no bitcoin, e alguns comerciantes brasileiros estão começando a despertar para o seu uso. A mais visível delas é conseguir fugir das taxas de bancos e de operadoras de cartão. A adoção como meio de pagamento já ocorre no Brasil por 27 estabelecimentos comerciais, de acordo com o Coin Map – serviço que reúne lugares que se dispõem a receber pagamentos dessa forma. No total, já são mais de 2,6 mil em todo o mundo. A Campus Party Brasil em São Paulo, evento já tradicional voltado à tecnologia, teve um caixa eletrônico para troca de reais pela nova moeda.
Sem taxa de serviço
Transferir bitcoins atualmente não custa nada. Esse cenário torna a moeda atrativa para quem precisa enviar dinheiro de um país para outro, processo em que taxas bancárias e de câmbio inflam os custos. Já existem brasileiros donos de hostels (albergues), lojas de suplementos vitamínicos, bares e até profissionais como taxistas e chaveiros que fazem suas transações com bitcoins. Em Santos, no litoral de SP, um apartamento de 90 m² (com três quartos e dois banheiros) é vendido por US$ 250 mil (R$ 598,5 mil). O empresário Rodrigo Souza, que mora em Nova York, aceita apenas a nova moeda como forma de pagamento.
Adepto do bitcoin há cerca de dois meses, o Caracol Hostel de Florianópolis recebeu pela estadia de um hóspede alemão o valor de R$ 240, pouco menos de 0,1 BTC na época. Outros dois turistas da Polônia entraram em contato com o estabelecimento, fizeram reservas para se hospedar no local e avisaram que pagarão com bitcoins.
"Por que a gente não deveria aceitar?", pergunta Enzo Baldessar, funcionário do hostel responsável pela implantação. "As operadoras de cartão de crédito cobram 5%. Em uma operação recente, um cara mexeu US$ 150 milhões (R$ 359 milhões) sem pagar nada de tarifa. É muito eficiente. Quanto ele não pagaria se fizesse uma operação interbancária? Seria dinheiro jogado fora."
Talita Noguchi é uma das proprietárias do Las Magrelas, bar de São Paulo que já acieta Bitcoin (Foto: Guilherme Zauith/G1)Talita Noguchi é uma das proprietárias do Las Magrelas, bar de São Paulo que já aceita bitcoins (Foto: Guilherme Zauith/G1)
O bar e bicicletaria Las Magrelas, de São Paulo, entrou para o time pró-bitcoin relativamente cedo, em maio de 2013, e já registrou sete transações com a moeda. "Isso vai bombar a qualquer momento", diz Talita Noguchi, de 27 anos, uma das proprietárias. "É absurdamente simples. Quando você vê o negócio acontecendo, percebe como é fácil. É meio sem sentido as pessoas terem medo, porque ainda por cima é superseguro."
Com clientes fora do país, o escritório de design Modern Lovers, também de São Paulo, adotou o bitcoin em outubro do ano passado, quando recebeu o equivalente a US$ 6 mil (R$ 14,3 mil) na nova moeda para criar uma identidade visual de lâmpadas de LED carregadas com energia solar. O serviço foi encomendado por um australiano que chefia a subsidiária de uma firma do Reino Unido na África do Sul.
"A gente passou a usar bitcoin porque a gente recebia via banco. Além de demorar dias, recebendo US$ 100 ou US$ 1 mil vão cobrar aquelas taxas gigantes", afirma Fabrício Bellentani, um dos sócios do escritório. "Mas ainda são muitos poucos os clientes que usam e têm essa noção".
Moeda 'física' que brinca com o Bitcoin (Foto: Reuters)Moeda 'física' que brinca com bitcoin (Foto Reuters)
1 bitcoin = R$ 1,9 mil
É bom lembrar que as transações via bitcoin, apesar de não terem o registro de instituições financeiras, constituem comercialização de bens e, sem declaração à Receita Federal, podem representar fraude.
Além disso, há os riscos envolvidos: uma das preocupações de economistas é a volatilidade da moeda virtual. Um bitcoin valia US$ 0,01 em 2011, e sua cotação já atingiu US$ 880 (R$ 1,9 mil), o que mantém alguns comerciantes com um pé atrás. "Transformo isso em real quase imediatamente [para evitar problemas]", diz Talita, do bar Las Magrelas, entusiasta da moeda.
Baldessar, do hostel de Florianópolis, afirma que, "por ser uma novidade ainda, existe uma grande volatilidade nos preços do bitcoin, por isso é interessante para o lojista e para o cliente fixarem o valor a ser pago em real e depois fazer a conversão para a nova moeda. Acredito que, quando o mercado estiver mais maduro, esse procedimento não será necessário. Os preços poderão ser fixados diretamente em bitcoin".
É uma moeda virtual que, como qualquer moeda atual hoje no mundo, é baseada na confiança. Ela funciona e é usada enquanto todo mundo que usa acredita que ela funciona"
Pedro
Duarte Garcia,
professor da USP
Já o analista de sistemas Felipe Micaroni Lalli pensa de forma bem diferente. "Para mim, essa é uma forma de poupança, armazenamento de valor, assim como o ouro. É uma forma de fugir da volatilidade, inflação e incerteza estatal. Eu não confio no governo, então não vou manter meu dinheiro em uma moeda emitida e controlada por alguém que eu não confio."
O administrador de sistemas Dâniel Fraga resume três possíveis usos para o bitcoin: moeda de troca, meio de pagamento, e investimento ou poupança. Mas há outros empregos possíveis, até alguns que não envolvem a moeda em si. Em maio de 2013, um programador argentino sugeriu que o sistema seja usado para confirmar a existência e a integridade de documentos em um determinado momento – algo como um "serviço notarial" digital. Um serviço assim hoje depende de certificados que custam cerca de R$ 300. "Imagine as inúmeras possibilidades do bitcoin que ainda não foram sequer exploradas", avalia Fraga.
E os gigantes dos atuais meios de transação eletrônica, como será que veem o bitcoin? Para Edward McLaughlin, diretor de pagamentos emergentes da MasterCard, a utilização que é dada à moeda hoje e seu caráter anônimo fazem com que a empresa, por meio de suas políticas, não a inclua em seu circuito. "Se e quando [o bitcoin] se tornar parte do sistema regulatório aceitável, nós saberemos como tratá-lo da mesma forma que tratamos as várias moedas com que trabalhamos hoje", disse o executivo ao G1.
Sem mediação de governos
Para o professor Pedro Duarte Garcia, da Faculdade de Economia, Administração e Contabilidade (FEA) da Universidade de São Paulo (USP), o bitcoin não se diferencia muito de outras moedas sob o ponto de vista monetário.
"É uma moeda virtual que, como qualquer moeda atual hoje no mundo, é baseada na confiança. Ela funciona e é usada enquanto todo mundo que usa acredita que ela funciona. Isso é comum a qualquer moeda que a gente carrega no bolso."
Além disso, o bitcoin não passa pelo sistema bancário e, por isso, não é regulado por nenhuma autoridade, o que gera preocupação em alguns países. Assim, organizações que tiverem suas economias bloqueadas por pedidos de governos – como o WikiLeaks, empresa que já teve interrompido o acesso à sua conta bancária – podem se beneficiar das facilidades de transferências de dinheiro entre países ao não passarem pelos sistemas convencionais.
"A atividade econômica não vai ser atingida por uma mudança. Mas quem sofre diretamente o impacto disso é o governo, porque a capacidade de arrecadação diminui, já que há uma série de impostos que dependem do sistema bancário ou de um sistema que conte com o CPF da pessoa, o que deixa de existir. [Isso] Gera desafios para o governo, e o governo pode ter impacto sobre a economia, porque compra bens na economia, oferece bens, participa das atividades".
Na onda do bitcoin, mais de 200 moedas virtuais surgiram, aumentando a pressão sobre as autoridades financeiras e sobre empresas que lidam com dinheiro. "O bitcoin e outras moedas virtuais, se vierem para ficar, e não é claro que isso vá ocorrer, vão gerar uma série de desafios que a gente vai ter que enfrentar e com os quais não estamos acostumados", diz Garcia.
A dificuldade de gerar bitcoins preocupa alguns entusiastas da moeda, que acreditam que seu valor, que já flutua em R$ 2 mil, só tende a subir. Por esse motivo, uma alternativa mais barata já foi criada: o litecoin.
Ao contrário do bitcoin, que usa o ouro como símbolo, o litecoin usa a prata. Em vez de cálculos que demoram cerca de 10 minutos para validar uma transação, o litecoin demanda 2 minutos e meio. O total de litecoins gerado será de 84 milhões, quatro vezes mais que de bitcoins. Dessa forma, o litecoin sempre valerá menos, servindo em especial para transações menores.
Em meio a incertezas sobre a cotação e a origem das novas moedas virtuais, quem já está nessa não diminui a empolgação. "O bitcoin é a maior invenção desde a internet, é uma tecnologia, um protocolo que já foi inventado e é útil. E não tem como desfazer uma invenção genial", afirma o analista de sistemas Felipe Micaroni Lalli.
UOL