29 de set. de 2011
Gianecchini estrela campanha de entidade que luta contra câncer
Publicado em quinta-feira, setembro 29, 2011 by Roberto Solon
Na última quarta-feira (28), o ator Reynaldo Gianecchini visitou o GACC (Grupo de Assistência à Criança com Câncer), em São José dos Campos, interior de São Paulo. No início de agosto, Giane foi diagnosticado com um tipo de câncer.
Reynaldo apoia o GACC desde 2003, quando realizou uma campanha para arrecadar recursos para a construção do hospital, acompanhado de um paciente.
O ator se tornou padrinho da Campanha "0500", que está sendo produzida pela Agência Molotov e pela Produtora Madre Studio em parceria com a TV Vanguarda, afiliada da TV Globo na região.
No GACC, Reynaldo foi simpático e acenou para as pessoas que se aglomeravam do lado de fora.
A presença do ator durou cerca de três horas. Ele gravou um vídeo institucional para a campanha, deu autógrafos e deixou as crianças eufóricas com sua presença.
Reynaldo Gianecchini ainda está em tratamento contra um linfoma do tipo não Hodgkin, um tumor que atinge os gânglios linfáticos, e passa por sessões de quimioterapia.
uol.com
PAC II - Pedra Lavrada Será Contemplada Com Cobertura de Quadra
Publicado em quinta-feira, setembro 29, 2011 by Sav
Vital
anuncia municípios da PB contemplados com construção de creches e
ginásios de esporte no PAC II
[Pedra Lavrada é contemplada com a cobertura de 1 quadra]
O Senador Vital do Rêgo (PMDB-PB), Presidente da Comissão Mista de
Orçamento – CMO, anunciou nesta quinta-feira (29) os municípios
paraibanos que serão contemplados com a construção de creches e
ginásios poliesportivos, ou com a cobertura de quadras de esporte
para posterior transformação em ginásios, na segunda etapa do
Plano de Aceleração do Crescimento – PAC II.
De acordo com o Senador, o PAC II prevê a destinação de recursos
para 64 municípios paraibanos, de forma direta, para a construção
de 109 creches e 61 ginásios poliesportivos, além de cobertura de
22 quadras e posterior transformação delas em ginásios.
“Trata-se de uma ação nunca antes vista na educação paraibana.
São cidades que receberão recursos, diretamente do Governo Federal,
para a construção destas unidades, com a participação de cada
prefeito, através de suas contrapartidas”, afirmou o senador Vital
do Rêgo, que na qualidade de presidente da CMO atuou de forma
decisiva para que o governo incluísse o maior número possível de
municípios paraibanos na lista.
Confira
as cidades contempladas:
Água
Branca – cobertura de 1 quadra
Alagoa
Grande – construção de 1 creche e de 1 ginásio
Alagoa
Nova – construção de 1 creche
Alhandra
– construção de 1 creche e de 2 ginásios
Arara –
construção de 1 ginásio
Araruna –
construção de 1 creche e de 1 ginásio
Baía da
Traição – construção de 1 ginásio
Barra de
Santa Rosa – construção de 1 ginásio
Bayeux –
construção de 4 creches e de 4 ginásios
Boa Vista
– construção de 1 ginásio
Boqueirão
– construção de 1 ginásio e cobertura de 1 quadra
Caaporã
– construção de 1 creche e de 2 ginásios, além da cobertura de
1 quadra
Cabedelo
– construção de 2 creches e de 2 ginásios, além da cobertura de
1 quadra
Cacimba
de Dentro – construção de 1 creche
Cajazeiras
– construção de 2 creches e de 2 ginásios
Campina
Grande – construção de 11 creches e de 4 ginásios
Catolé
do Rocha – construção de 1 creche e cobertura de 1 quadra
Conceição
– construção de 1 creche e de 1 ginásio
Conde –
construção de 1 creche
Coremas –
construção de 1 creche
Cruz do
Espírito Santo – Construção de 1 creche e de 1 ginásio
Damião –
cobertura de 1 quadra
Dona Inês
– cobertura de 1 quadra
Esperança
– construção de 1 creche e de 1 ginásio
Guarabira
– construção de 2 creches
Imaculada
– construção de 1 creche
Ingá –
construção de 1 creche e de 1 ginásio
Itabaiana
– construção de 1 creche
Itatuba –
construção de 1 ginásio
Jacaraú
– construção de 1 ginásio
João
Pessoa – construção de 40 creches e de 12 ginásios, além da
cobertura de 5 quadras
Juazeirinho
– cobertura de 1 quadra
Lagoa
Seca – construção de 1 creche e de 1 ginásio
Mamanguape
– construção de 3 creches e de 1 ginásio, além da cobertura de
1 quadra
Manaíra
– construção de 1 ginásioMari – construção de 1 creche
Marizópolis
– construção de 2 ginásiosMataraca – construção de 2
ginásios
Patos –
construção de 4 creches
Pedra
Lavrada – cobertura de 1 quadra
Pedras de
Fogo – construção de 1 creche e de 1 ginásio, além da cobertura
de 1 quadra
Piancó –
cobertura de 1 quadra
Picuí –
construção de 1 creche e de 1 ginásio
Pitimbu –
construção de 1 creche
Pocinhos
– construção de 1 creche e cobertura de 1 quadra
Poço
José de Moura – construção de 1 ginásio
Pombal –
construção de 2 creches
Puxinanã
– construção de 1 creche
Queimadas
– construção de 2 creches e de 1 ginásio
Remígio
– construção de 1 ginásio
Rio Tinto
– construção de 1 creche e de 1 ginásio
Santa
Cecília – construção de 1 ginásio
Santa
Rita – construção de 4 creches e cobertura de 2 quadras
São
Bento – construção de 1 ginásio e cobertura de 1 quadra
São José
de Piranhas – construção de 1 creche
São
Miguel de Taipú – construção e 1 ginásio
São
Sebastião de Lagoa de Roça – construção de 1 creche
Sapé –
construção de 2 creches e de 1 ginásio
Solânea
– construção de 1 creche e de 1 ginásio
Soledade
– cobertura de 1 quadra
Sousa –
construção de 4 creches
Tavares –
construção de 1 ginásio
Teixeira
– construção de 1 ginásio
Umbuzeiro
– construção de 1 ginásio
DIRETO DE ALAGOAS: CHIFRUDO CANIBAL
Publicado em quinta-feira, setembro 29, 2011 by Roberto Solon
Traído, marido arranca coração de esposa e come frito
O crime bárbaro, que chocou a cidade de Arapiraca, em Alagoas, foi cometido no final de 2010, e teve desfecho nesta semana
Não foi no óleo nem no azeite. Após assassinar a própria esposa, Patricia Vicente da Silva, o desempregado José Jorge da Silva, retirou os órgãos do corpo da vítima e levou o coração até um bar, onde pediu para o cozinheiro fritar na manteiga, e comeu acompanhado de uma cervejinha.
O crime bárbaro, que chocou a cidade de Arapiraca, em Alagoas, foi cometido no final de 2010, e teve desfecho nesta semana, quando o assassino foi preso no município de Carmópolis, em Sergipe, e confessou friamente, para a surpresa geral.
“Ele foi preso aqui após tentar roubar um taxista e, ao levantarmos a ficha, descobrimos que ele era procurado em Arapiraca por esse crime.
O que surpreendeu foi a calma com que ele confessou tudo, com detalhes. Em nenhum momento ele demonstrou sinal de arrependimento”, disse o delegado de Carmópolis, Lênio Augusto.
E o arrependimento não faz mesmo parte do vocabulário do assassino, que planejou o crime ao suspeitar de uma traição e o contou detalhadamente.
“Foi só uma furada no estômago. Ela ficou se batendo um minuto e morreu. Eu cortei ela até o umbigo, tirei os órgãos e só guardei o coração e levei comigo. Depois, peguei uma van até Palmeira dos Índios e pedi para um cara de um bar fritar e comi como tira-gosto com cerveja. Comi mesmo”, disse.
Com Portal Correio
Empresa campinense consolida parceria com a Microsoft
Publicado em quinta-feira, setembro 29, 2011 by Roberto Solon
A Microsoft apresentou,na terça,(24),o jogo TOMBO, que está em desenvolvimento pela STAIRS. Durante o evento, a STAIRS foi citada como única empresa desenvolvedora de games do Brasil e da América Latina, certificada pela Microsoft Game Studios (MGS), a criar jogos para o serviço Xbox LIVE no celular ou no console.
De acordo com o diretor técnico da Stairs, José Antonio Leal de Farias, “a indústria de jogos digitais é a maior indústria de entretenimento do mundo, superior em faturamento as indústrias de cinema, música e livros somados.
Segundo ele, o volume de investimento necessário para entrar nesse exclusivo mercado sempre foi uma grande barreira para empresas de todo mundo, que estão concentradas basicamente nos Estados Unidos e Japão. “A parceria com a Microsoft Game Studios, uma das maiores do setor, permitirá a Stairs quebrar algumas das barreiras de entrada no mercado mundial, ao mesmo tempo que a habilita a criar produtos que podem ser vendidos na rede de jogos Xbox Live, que reúne hoje mais de 30 milhões de consumidores e é a maior rede de jogos digitais do mundo”.
“A Stairs é a única empresa na América Latina com esse tipo de contrato, passando a ser um estúdio de desenvolvimento de jogos gerenciado pela própria Microsoft, os chamados “third-parties” que ajudará a empresa a criar melhores jogos para consumidores em todo mundo”, afirmou o José Antonio.
Na oportunidade, a Microsoft também anunciou o primeiro Centro de Excelência para Windows Phone do mundo, sediado no Brasil. Criado em parceria com o Instituto de Pesquisas Eldorado, essa iniciativa mostra a importância do mercado local para a Microsoft e traz oportunidades para desenvolvedores e empresas. O objetivo da Microsoft é trazer conhecimento da plataforma Windows Phone, aliado com um Instituto de renome.
“Percebemos a importância no investimento no primeiro Centro de Excelência Windows Phone do mundo para levar ao consumidor brasileiro opções de aplicativos localizados para eles comprarem com o cartão de crédito, em Reais, e ter uma experiência mais relevante e local do Marketplace”, afirma Osvaldo Barbosa de Oliveira, diretor da divisão de Consumo & Online da Microsoft Brasil. “Além disso, é uma excelente oportunidade para desenvolvedores locais mostrarem o seu talento transformando ideias em aplicações para o nosso Marketplace”.
“Ter sido escolhido pela Microsoft para ser o Centro de Excelência Windows Phone representa um grande desafio, totalmente em linha com a atuação e a história do Instituto Eldorado. Desenvolvedores, MICs e clientes certamente encontrarão no Instituto Eldorado um apoio firme e de alta qualidade, à altura de suas necessidades”, destaca Arthur João Catto, Superintendente do Instituto do Eldorado.
Os profissionais do Centro de Excelência Windows Phone serão treinados por profissionais da Microsoft dos USA e também do Brasil e terão a responsabilidade de repassar esse conhecimento para os desenvolvedores, diretamente, ou através dos 17 Microsoft Innovation Center (MICs), presentes no Brasil.
Para saber mais clique aqui!
Fonte: Assim/PaqTcPB
Reprise: Assista a Participação da Banda R2 na TV Itararé
Publicado em quinta-feira, setembro 29, 2011 by Sav
A banda R2 da
cidade de Pedra Lavrada teve aparição hoje no “Programa
Diversidade” da TV Itararé, afiliada da TV Cultura. Os nossos
jovens roqueiros, regueiros e, acima de tudo, guerreiros falaram
sobre suas músicas e deram uma breve demonstração de seus
talentos.
A banda R2 está
ganhando gradativamente destaque na mídia graças ao talento e por
ter se classificado na ultima sexta-feira
(23/09/2011), em Campina Grande, da primeira etapa do Garagem
Hold 2011,
o maior concurso de bandas e premiação da região. A etapa final
do Festival ocorrerá no dia 02 de outubro, a partir das 16h00 no
Planet Hall em Campina Grande.
R2
tem a seguinte formação: Márcio Souto – Guitarra e vocal, João
Vital – Baixo, Jarbas Vasconcelos – Guitarra e Emanuel (Nel)
Drums – bateria.
O “Programa
Diversidade” é exibido de segunda a sexta, às 13h00 e às 19h30
(reprise), pela TV Itararé de Campina Grande (afiliada da TV
Cultura). O Diversidade apresenta reportagens diárias sobre a
cultura paraibana, com destaque para o que é produzido em Campina
Grande e região circunvizinha.
Quem perdeu o “Programa
Diversidade” as 13h00 pode ver (ou rever) às 19h30 no site na TV
Itararé: http://www.tvitarare.com.br/site/
Santiago Vasconcelos
Tem prefeito que não se mexe, critica ministro da Educação
Publicado em quinta-feira, setembro 29, 2011 by Roberto Solon
Tem prefeito que não se mexe, critica ministro da Educação
Haddad diz que 80 cidades com baixa receita vão receber institutos federais
Segundo o ministro, 80 das 100 cidades do g100 já serão beneficiadas em um primeiro momento.
De acordo com Haddad, a definição dessas localidades não levou em consideração critérios partidários. O ministro, no entanto, fez críticas à postura de alguns administradores.
- Tem prefeito que às vezes não se mexe pra tomar as providências, aí ele que se entenda com a população local, mas nós do MEC estamos disponíveis para que esses projetos se realizem.
Para o presidente da FNP, João Carlos Coser, o MEC fez um "gesto de reconhecimento" ao considerar o g100 na definição de prioridades.
- Isso é uma porta que se abre para que possamos conversar com todos os outros ministérios, levando o exemplo do MEC.
Ao falar com jornalistas, Haddad disse não ter "conhecimento" sobre partidários ligados à sua candidatura que estariam ameaçando de retaliação petistas ligados à senadora Marta Suplicy, que também deseja concorrer à Prefeitura de São Paulo.
R7
Banda R2 agora na TV Itararé
Publicado em quinta-feira, setembro 29, 2011 by Sav
Acesse o link abaixo e assista agora a banda R2, finalista do garagem houd, no programa diversidade da TV Itararé
http://www.tvitarare.com.br/site/
Reynaldo visita grupo que apoia crianças com câncer
Publicado em quinta-feira, setembro 29, 2011 by Roberto Solon
Na tarde desta quarta-feira (28),Reynaldo Gianecchine, que está em tratamento contra um câncer, foi conhecer as dependências do Grupo de Assistência à Criança com Câncer (GAAC), em São José dos Campos, no interior de São Paulo. Em agosto, o ator foi diagnosticado com linfoma não-Hodgkin, de células-T, e iniciou a quimioterapia.
Nas imagens feitas pela TV Vanguarda, afiliada da Globo na região, Gianecchini aparece com a cabeça raspada. Como a queda de cabelos é comum nesse tipo de tratamento, o ator preferiu raspar a cabeça antes que seus cabelos começassem a cair. A visita durou cerca de três horas, e o único pedido do ator foi para que ele não desse entrevistas. Mesmo assim, ele acenou para as pessoas que estavam do lado de fora da instituição.
Gianecchini já ajudava financeiramente a instituição, mas decidiu visitar o GAAC após receber uma carta de um menino internado na unidade. Ao encontrar as crianças, eles trocaram experiências e a garotada incentivava o ator para que ele não desanimasse durante o tratamento. "Eu disse para ele que tudo vai dar certo", contou a pequena Júlia Santos.
Gianecchini já ajudava financeiramente a instituição, mas decidiu visitar o GAAC após receber uma carta de um menino internado na unidade. Ao encontrar as crianças, eles trocaram experiências e a garotada incentivava o ator para que ele não desanimasse durante o tratamento. "Eu disse para ele que tudo vai dar certo", contou a pequena Júlia Santos.
Em agosto, o ator foi diagnosticado com um linfoma não-Hodgkin, um câncer que atinge os gânglios linfáticos e desde então trava uma batalha contra a doença.
Do UOL
PROFESSORES: Municipais aprendem como cobrar o piso
Publicado em quinta-feira, setembro 29, 2011 by Roberto Solon
Terminou nesta quarta-feira, 21, a Oficina de Educação da CNTE: do Financiamento ao Piso Salarial. Durante os três dias de curso, os 13 sindicatos municipais filiados participantes, aprenderam a utilizar uma tabela desenvolvida por dirigentes do SINTEP de Mato Grosso.
A ferramenta vai facilitar as negociações salariais porque os sindicatos terão condições de analisar o financiamento público da educação, o repasse do FUNDEB, acompanhar a folha de pagamento e a calcular a receita e a despesa do município.
O principal objetivo do curso, que ainda está em fase experimental, é auxiliar na reivindicação pelo maior piso possível a ser pago, de acordo com a realidade de cada receita municipal. “Nossa proposta é trazer os primeiros elementos para que os sindicatos tenham condições de replicar essa discussão. Ela parte do parâmetro legal do pagamento do piso. Daí buscamos dentro das receitas e das despesas uma radiografia do município para entender o montante de recursos disponíveis para financiar a educação”, ressaltou Henrique Lopes Nascimento, Secretário de Políticas Educacionais do SINTEP do Mato Grosso, que ministrou a oficina.
A Secretária de Assuntos Municipais da CNTE, Selene Rodrigues, destacou que a oficina foi bastante importante para o aprendizado dos sindicatos. “Eles tiveram a oportunidade de analisar a receita de seus municípios, a despesa, o número de matrículas e de trabalhadores de educação. Com essas informações os sindicatos poderão fazer sua pauta de reivindicação com seus gestores”. Ela acrescenta que a CNTE pretende dar continuidade às oficinas, principalmente sobre carreira. (CNTE, 21/09/2011)
IMPORTANTE: ALUNOS DO CURSO DE MEDICINA DA UFCG DIVULGAM ARTIGO SOBRE SILICOSE, COM ÊNFASE EM PEDRA LAVRADA (PB)
Publicado em quinta-feira, setembro 29, 2011 by Roberto Solon
A redação do vozdepedra.com recebeu o e-mail de Solon Lira de Vasconcelos Neto, graduando do curso de Medicina da UFCG, que traz um artigo muito importante sobre um tema que tanto aflige os garimpeiros de nossa cidade e as autoridades de saúde pública: a Silicose. O texto foi escrito em linguagem científica e serve de referência bibliográfica para futuras pesquisas sobre o assunto e para nortear políticas públicas de prevenção à essa tão grave doença.
Veja a íntegra do artigo:
SILICOSE EM PEDRA LAVRADA,
PARAÍBA, BRASIL: REVISÃO DE
LITERATURA E CORRELAÇÃO COM
OS ACHADOS LOCAIS
Solon Lira de Vasconcelos
Neto1 *
Clarissa Melo Cabral1
Deborah
Rose Galvão Dantas2
Aline
de Sousa Alencar1
Andressa Rolim Braga
Gadelha1
Cíntia Gouveia Barros1
Daniel Hortiz de Carvalho
Nobre Felipe1
Heloíza Maria Gonçalves de
Souza1
Lívia Mirella Martins
Gomes1
Luizy Delça Filgueira
Lopes1
Mônica da Silva Oliveira1
Resumo
A silicose é considerada a mais antiga
doença ocupacional. Em 1870, Visconti descreveu uma enfermidade resultante da
deposição do pó de sílica nos pulmões, usando pela primeira vez o termo
silicose, uma doença com danos pulmonares e extra-pulmonares. Este trabalho
visa fazer uma revisão da literatura sobre silicose em mineradores de pedreiras,
sugerindo métodos de prevenção e rastreio e analisando a prevalência da doença
em Pedra Lavrada-PB, Brasil. A referida cidade apresenta um número
relativamente grande daqueles trabalhadores, por ser a mineração o sustentáculo
da economia local, existindo poucas publicações a esse respeito na região.
Foram realizadas pesquisas em livros, artigos em revistas, base eletrônica e
foi também pesquisada a prevalência na população local de mineradores. Foram
encontrados em 2004, três pacientes com silicose em estado grave e outras cinco
pessoas morreram em consequência da doença. rastreio. Palavras-chave:,
silicose, trabalhadores de pedreiras, revisão bibliográfica, prevalência.
SILICOSIS IN PEDRA
LAVRADA, PARAÍBA, BRAZIL: A LITERATURE REVIEW AND CORRELATION WITH
LOCAL PREVALENCE
Abstract
Silicosis
has been considered the most antique occupational disease. Visconti, in 1870,
described a disease caused by deposition of silica dust in the lungs, that
could lead to pulmonary and extrapulmonary damage.This study aims
to review literature about the prevalence of silicosis in stone mine workers
and suggests screening methods and prevention to the
disease, analyzing the prevalence of silicoses in Pedra Lavrada town, state of Paraíba, Brasil.The referred town has
a relatively high number of that kind of workers,for being mineration the
fulcrum of local economy .Similar studies done in that region weren’t found
significantly in literature. With this purpose, a literature review was done in
books, magazines articles, virtual health library ; the prevalence of silicosis
in local mine workers were researched aswell. In 2004, three cases of patients
with severe silicosis were related and five more patients died due to the
disease. This study suggests screening methods and prevention
to the disease. Key-words: silicosis, stone mine workers, literature review,
prevalence.
Introdução
A silicose é conhecida desde a
Antiguidade. São desta época os primeiros registros que documentam a existência
de múmias egípcias com patologias pulmonares, que correspondem ao que
atualmente se denomina silicose. Nas sociedades antigas, a poeira de sílica era
liberada como resíduo em atividades de mineração, de construção e na produção
de produtos de decoração.
Com o crescente processo de industrialização,
ocorreu um aumento da utilização de minerais, como quartzo, feldspato, berílio
dentre outros, que durante sua extração e manuseio inadequado, liberam grande
quantidade de poeira de sílica, resultando em uma exposição maior dos
trabalhadores. A sílica em forma de poeira, que corresponde ao dióxido de
silício, SiO2, após ser inspirada, e se deposita nos pulmões, constituindo
uma etapa imprescindível à manifestação da pneumoconiose.
O termo silicose, utilizado pela
primeira vez por Visconti em 1870, descreve a patologia resultante dessa
deposição de pó de sílica nos pulmões. É uma doença pulmonar de caráter
crônico, com evolução progressiva e irreversível, sendo considerada a mais
antiga doença ocupacional. A silicose é a pneumoconiose mais prevalente no
Brasil e no mundo. É a principal causa de invalidez entre as doenças
respiratórias ocupacionais.
No Brasil, os primeiros estudos
epidemiológicos sobre a ocorrência de silicose, foram realizados pelo
Departamento Nacional da Produção Mineral (DNPM), em minerações de ouro de
Minas Gerais. Teixeira et al. (1940),
em um destes primeiros trabalhos, publicou um estudo sobre a higiene das minas
de ouro: Silicose - Morro Velho - Minas Gerais. Dos 2.197 trabalhadores de
subsolo examinados clinicamente, 908 submeteram-se à radiografia de tórax.
Destes trabalhadores, 304 foram considerados portadores de silicose em algum de
seus estádios, número este correspondente a 33,5% dos radiografados e 13,8% de
todos os trabalhadores examinados. Outros estudos como o de Franco (1974),
realizado em 200 trabalhadores de pedreiras no Município de Ribeirão Preto — SP
descobriu 23 casos de silicose, o que correspondeu a uma prevalência de 11,5%.
Em estudos mais recentes, realizados
nos anos de 1999 e 2000, observou-se 34.066.789 trabalhadores formalmente
ocupados no Brasil. Destes, 1.815.953 (5%) estavam expostos à sílica em mais de
30% da jornada semanal de trabalho, Ribeiro (2003). No mesmo estudo,
constatou-se que entre as atividades econômicas, aquelas que apresentaram maior
percentagem de expostos foram: construção civil com 62% de expostos; extração
mineral com 61%; indústria de minerais não-metálicos com 55%; metalúrgica com
23% de expostos.
Segundo Mendes (1980), não se tem
dúvida em salientar a importância do trabalho em pedreiras como sendo de
elevado risco para manifestação da silicose, principalmente à luz dos trabalhos
de Franco (1974). No Brasil, especialmente em Pedra Lavrada não é diferente, a
atividade nas pedreiras é caracterizada por ser constituída, quase sempre, por
estabelecimentos pequenos, dispersos, com condições de trabalho muito
primitivas. Tudo isso torna difícil a introdução efetiva de medidas adequadas
de higiene do trabalho, o que permite a existência de um lugar extremamente
propício ao desenvolvimento da silicose.
O município possui uma área de 391,4 km2,
distante 232 km da capital João Pessoa, Paraíba. O mesmo está localizado na
mesorregião da Borborema e na microrregião do Seridó Oriental da Paraíba.
Segundo dados do IBGE (2007), possui uma população de 6.810 habitantes. De
acordo com a Cooperativa de Mineradores de Pedra Lavrada (2009), haviam cerca
de 450 trabalhadores na mineração.
Tendo em vista a escassez de estudos
que abordem a silicose como problemática social e econômica na região Nordeste,
mais especificamente na Paraíba, e a ausência de artigos científicos que
registrem e discutam a situação em Pedra Lavrada, percebe-se a importância e
necessidade deste apanhado bibliográfico e coleta de dados no município
estudado, para exposição e registro desse importante problema de saúde pública.
Espera-se que após a discussão dos
dados coletados, o problema seja compreendido localmente em todo o seu curso
evolutivo. A partir de então, se abre a possibilidade para a prevenção da
doença, especificamente em Pedra Lavrada, haja vista a proposta de
individualização de estudo do problema, que constitui o objetivo do presente
artigo.
Material
e Métodos
Trata-se de uma revisão bibliográfica
sobre a silicose em outros países e no Brasil, com posterior comparação destes
dados com os obtidos no município de Pedra Lavrada, privilegiando a discussão
no município e o registro científico do problema nesta localidade.
Após escolha do tema e a delimitação a
ser investigada, foi feito um levantamento bibliográfico das publicações sobre
a silicose em mineradores de pedreiras. Concluída esta etapa, foi realizada a
coleta dos dados que permitissem exprimir a situação do município de Pedra
Lavrada. É preciso registrar a necessidade de recorrência a métodos
alternativos à pesquisa bibliográfica, tendo em vista a indisponibilidade de
literatura específica sobre o tema no município.
Foram realizadas pesquisas em livros,
resumos, catálogos, manuais, base de dados, periódicos especializados e em base
eletrônica, por meio das palavras chaves:
“silicosis”,
“prevalency” e “epidemiology” (vide referências bibliográficas), promovendo a
abordagem do tema no Brasil e no mundo.
Não foram encontrados registros na
literatura que se referissem diretamente a Pedra Lavrada, apenas de modo genérico,
como Paraíba ou Nordeste do Brasil. Foi necessária a coleta de informações em
organismos oficiais de saúde e também representativos da classe, como
Secretaria Municipal de Saúde e Cooperativa dos Mineradores de Pedra Lavrada.
Com as devidas autorizações, documentos como
prontuários de pacientes, e atestados de óbitos foram analisados na Secretaria
de Saúde. Na Cooperativa, os dados foram somente coletados através de dados
fornecidos pelo presidente. A mesma não dispunha de um acervo com registros de
dados pessoais dos associados.
Os mineradores e profissionais de
saúde do município foram entrevistados a fim de fornecerem informações
necessárias à compreensão do problema local. Aqueles forneceram descrições
sobre o ambiente e condições de trabalho, bem como impressões pessoais, e estes
informações relevantes sobre a situação clínica dos mesmos, além de dados
oficiais contidos em prontuários e atestados de óbitos.
No ano de 2003, uma escola municipal
de Pedra Lavrada, realizou um importante registro da silicose no município.
Tratou-se um trabalho multidisciplinar, realizado entre alunos do ensino médio,
sob orientação dos professores. No referido estudo, os alunos por meio de
pesquisas em campo, entrevistas a garimpeiros e profissionais de saúde, tendo
como meio facilitador o fato de alguns serem filhos de mineradores, elaboram
diferentes registros de suas pesquisas, como relatórios e alguns registros
artísticos, como poemas e histórias em quadrinhos.
Embora não seja possível catalogar
sistematicamente estes registros bibliograficamente, os mesmos foram deveras
importantes para uma compreensão inicial do tema. Serviram também como ponto
norteador para o estudo local, especialmente no que se refere a entrevistas de
mineradores e profissionais de saúde. Os dados deste trabalho encontram-se
arquivado na secretaria da Escola Municipal de Ensino Fundamental e Média Maria
Elenita de Vasconcelos Carvalho, e foram gentilmente cedidos para consulta.
Neste
material, encontram-se, por exemplo, cópias de resultados de análises químicas,
realizada em 1997, pelo Departamento de Análises Minerais do então Campus II da
Universidade Federal da Paraíba (hoje Universidade Federal de Campina Grande).
Tratava-se de uma análise de um dos principais produtos de mineração em Pedra
Lavrada, o quartzo, um mineral de vasta aplicação industrial, como em indústria
de vidros e componentes de computadores.
Trata-se um
cristal constituído por 99% de sílica, e que durante seu manuseio pelos
mineradores, desprende minúsculas partículas de poeira de sílica, as quais são
facilmente inspiradas, e depositadas na intimidade pulmonar. Tal processo, ao
longo dos anos, permite o desenvolvimento da doença.
Embora os
documentos encontrados na referida escola tenham sido indiscutivelmente
relevantes, os mesmos foram criticamente analisados e optou-se pelo registro
dos que apresentasse algum valor científico, dispensando-se registros menos
elaborados, como por exemplo, pinturas e poemas. Todavia, estes tem sua
importância quando permitem conhecer a visão da população sobre o tema, além de
revelarem a importância da doença para a cidade, sendo motivo de um estudo que
envolveu a escola durante um bimestre de um período letivo.
Em suma, a
revisão bibliografia da silicose enquanto doença, problema mundial e nacional
baseou-se em análise de resumos,
catálogos, manuais, base de dados, periódicos especializados e base eletrônica.
O problema específico de Pedra Lavrada foi registrado por meio de análise
criteriosa dos materiais acima citados e da entrevistas a mineradores e
profissionais de saúde. Estas entrevistas não seguiram um roteiro
pré-estabelecido.
Inicialmente os entrevistados eram
solicitados a comentarem sobre o tema silicose, ou doença do “pó da pedra” como
é conhecida localmente. A partir disso, questões sobre o conhecimento de algum
portador da doença, descrição sobre o ambiente de trabalho e uso de materiais
de proteção eram lançadas aos entrevistados. Os dados mais importantes dessas
entrevistas seguem no item discussão.
A pesquisa foi direcionada a
mineradores que exerciam suas atividades nos locais de trabalho acima descritos
e realizadas em suas residências. Não foram pesquisados os mineradores em empresas
devido à impossibilidade de se conseguir, em tempo hábil, autorização dos
responsáveis para visita aos locais.
Discussão
Em relação à patogenia da
silicose temos que: após a inalação, o pó de sílica promove uma reação
inflamatória que leva à formação de tecido cicatricial nos pulmões. A exposição
continuada ao agente irritante pode levar a incapacidade de trocas gasosas e ao
desenvolvimento de doenças pulmonares e em outros órgãos e sistemas do
organismo, como por exemplo, tuberculose, enfisema, limitação crônica ao fluxo
aéreo, doenças auto-imunes, câncer do pulmão e insuficiência cardíaca.
Segundo Lopes (2006), não há
tratamento para a silicose no momento, e as tentativas terapêuticas
restringem-se ao controle das complicações cardiovasculares, infecciosas e
outras. O transplante pulmonar é uma tentativa possível em casos de
insuficiência respiratória grave. Todavia é uma última opção, tendo em vista os
riscos envolvidos.
Nos
EUA foi responsável, Centers for Disease Control and Prevention (CDC) (1998),
por 14.824 óbitos entre 1968 e 1994, 207 deles em indivíduos com idades entre
15 e 44 anos. Na França, a silicose pulmonar, em 1975, colocou-se em terceiro
lugar entre as 64 doenças ou grupos de doenças profissionais definidos na
legislação daquele país. Foram notificados, em 1975, 616 casos, ou seja, 13% de
todas as doenças profissionais. Segundo Mendes (1980), na América Latina, notadamente
nos países de expressiva atividade extrativa mineral, a silicose tem-se
constituído um problema de saúde pública de graves dimensões. Somente em três
países — Peru, Chile e Bolívia — eram conhecidos, em 1967, mais de 4.500 casos.
A
Organização Mundial de Saúde reconhece e destaca a prevalência da silicose no
Brasil e de modo especial nas minas de quartzo do Nordeste. Dados colhidos pela
Organização revelam que na região, a escavação de minas através de camadas de
rocha com alto teor quartzo (97%), gera uma grande quantidade de poeira em
espaços confinados, resultando em uma prevalência de 26% da silicose, em muitos
casos resultando em óbitos em curto espaço de tempo a partir do início da
doença.
Mendes (1980) explica que o risco de
desenvolvimento da silicose depende basicamente: da concentração de poeira
respirável, da porcentagem de sílica livre e cristalina na poeira, do tamanho
das partículas e da duração da exposição.
Tem-se, portanto, a poeira de sílica
como o fator etiológico isolado mais importante para manifestação da silicose e
a escavação de minas como um ambiente gerador de grande quantidade desta
poeira. Um ponto agravante dessa situação em Pedra Lavrada é o fato de a cidade
situar-se no semi-árido. Os períodos de estiagem aumentam a aridez dos solos e
as brisas no município são constantes. Com isso, a liberação de poeira se torna
muito mais significativa do que em regiões que apresentam índices
pluviométricos mais elevados. Inclusive, dentre as recomendações do Ministério
do Trabalho para higiene coletiva de ambientes silicogênicos, encontram-se
instruções para umidificação periódica do ambiente de trabalho, a fim de
diminuir a quantidade de agentes nocivos inspiráveis.
As pedreiras do município, em sua
maioria, encontram-se em locais afastados da zona urbana, e portanto, sem
acesso a água encanada. Os locais de mineração geralmente também estão longe de
reservatórios de água, como açudes, rios ou poços. E mesmo os que são próximos,
não dispõem de mecanismos, como bombas propulsoras e tubulações, que
permitiriam o transporte dessa água até local de trabalho com vistas à
umidificação do solo, minerais e demais fontes de poeira.
Os métodos de proteção coletiva, como
o acima citado, além de revezamento dos trabalhadores, de modo a não passarem
mais do que duas horas seguidas no ambiente de trabalho constituem os primeiros
cuidados que devem ser seguidos no ambiente laboral.
De modo complementar, e nunca como
medida isolada, os métodos coletivos de proteção devem ser reforçados pelos
equipamentos de proteção individual. No caso em questão, estes equipamentos são
roupas, luvas, calçados, e óculos adequados, além de respiradores e a
disponibilidade de um local para banho dos trabalhadores. Isto permitiria a diminuição
da poeira carregada em suas roupas e no próprio corpo. Estas medidas não são
adotadas na maioria das pedreiras de Pedra Lavrada, devido às limitações
financeiras, a falta de conhecimento por parte dos mineradores, a falta de
incentivo por parte de gestores públicos e também a falta de hábito dos
mineradores em usarem estes matérias.
É importante salientar que o caráter
improvisado e a forma como muitos trabalhadores iniciam suas atividades,
especialmente em períodos de estiagem prolongados, impossibilitam um
planejamento prévio. A urgência em se conseguir uma fonte de renda que permita
a subsistência, é uma das justificativas.
Baseando-se em informações prestadas
pela Cooperativa de Mineradores de Pedra Lavrada e em estimativa do Instituto
Brasileiro de Geografia e Estatística – IBGE, para o ano de 2007, cerca de 6,6%
da população do município trabalha na mineração.
Algumas pedreiras são unidades
familiares. Em outros casos, o proprietário paga semanalmente aos mineradores e
estes não participam dos lucros. Em outra modalidade de relação entre
proprietário como os mineradores, estes exploram as pedreiras e pagam uma
porcentagem dos valores, quando os minérios são vendidos. Neste caso, os
mineradores não recebem nenhum valor enquanto não vendem. Isto causa a venda
dos produtos por baixos preços, geralmente ao primeiro comprador que se
apresente interessado pelos minérios.
Localmente as pedreiras são
denominadas por “banquetas”. Os mineradores iniciam suas atividades com
materiais rudimentares (como pás e picaretas) que podem ser propriedade de
algum dos mineradores ou então são compradas à crédito.
Em face das carências expostas, do
baixo nível cultural, da necessidade emergencial de se conseguir dinheiro, da
falta de políticas públicas, da desinformação dos mineradores, além da falta de
hábito no uso de equipamentos individuais de proteção, é possível se delinear
uma compreensão do motivo pelo qual um ambiente que já é naturalmente propício
ao desenvolvimento da silicose, consegue ser ainda mais hostil à saúde dos
mineradores.
Embora a instalação de empresas de
exploração mineral, nos últimos cinco anos, tenha absorvido uma parcela da
mão-de-obra local, muitos mineradores ainda trabalham nas condições
extenuantes, improvisadas e primitivas acima expostas. Sem instrumentos
adequados de proteção coletiva ou individual. Ver figura 01
Segundo o Serviço de Vigilância
Epidemiológica, vinculado à Secretaria Municipal de Saúde de Pedra Lavrada, 29%
dos pacientes atendidos na Unidade de Saúde local, no ano de 2004, tinham algum
problema respiratório. No mesmo ano, havia três pacientes com silicose em
estado grave e entre 2000 e 2004, cinco pessoas morreram por conta da doença.
Há casos nos quais a silicose não é
registrada no atestado de óbito, constando a causa mortis por outros
motivos, DPOC, enfisema ou parada cardiorrespiratória. Uma justificativa para
tal conflito quanto ao adequado preenchimento do atestado de óbito se deve ao
fato de que a silicose está associada a uma série de outras morbidades.
![]() |
| Figura 1. Trabalhador de pedreira de extração de quartzo em Pedra Lavrada. |
Corrobora para a gravidade do
problema, o fato de não existir nenhum método de rastreio da doença nos
mineradores. Ao longo do apanhado bibliográfico que aborda o tema silicose, é
comum que populações inteiras de mineradores de um determinado local ou
ambiente de trabalho sejam submetidos a radiografias a fim de se procurar por
sinais indicativos da doença.
Desse modo, seria uma alternativa
interessante a criação, por parte dos órgãos de saúde, de alguma comissão
dedicada a rastreio, prevenção e tratamento dos pacientes com silicose, tendo
em vista a importância da mineração para aquele município. Devido ao baixo
custo de uma radiografia de tórax, quando comparado a outros recursos
diagnósticos, presume-se a viabilidade de se submeter uma população previamente
analisada clinicamente a radiografias de tórax. Algo semelhante ao realizado no
programa nacional de rastreamento do câncer de mama, quando mulheres a partir
de 40 anos de idade, tem indicação de realizarem uma mamografia anualmente.
Todavia, a detecção da pneumoconiose
através do método de rastreio não será possível antes que alterações graves e
irreversíveis estejam instaladas nos pulmões. Este método de rastreio não
previne a silicose, mas sim detecta precocemente a doença já instalada, que
pode, neste momento do diagnóstico, está ou não clinicamente manifesta.
A silicose é classificada no grupo III
das doenças ocupacionais. Isto significa que para sua ocorrência não há outra
maneira que não seja a exposição à poeira de sílica inspirável, de modo
contínuo e por vários anos. Todavia devem-se registrar algumas raridades de
populações de desertos que apresentam a doença por conta da inspiração da poeira
de areia rica em sílica. A prevenção, por métodos coletivos, individuais, e o
rastreamento da população, devem ser alguns dos mecanismos indispensáveis de
saúde pública preconizados para àquela população. O rastreamento isolado não
previne a doença e deveria se prestar ao diagnóstico dos raros casos que não
seriam evitados pelos métodos de proteção do trabalhador.
Conclusão
Desde estudos de grandes populações,
como a pesquisa retrospectiva americana realizado pelo CDC (1998), até o estudo
realizado em Pedra Lavrada, os problemas se repetem: carência da população
trabalhadora, baixo nível cultural, desinformação dos mineradores, falta de
hábito no uso de equipamentos individuais de proteção e falta de políticas
públicas ou não fornecimento de equipamentos de proteção pelos empregadores.
O curso natural da doença, verificado
em Pedra Lavradra, é semelhante ao de outros locais analisados: trabalhadores
que lidam com algum minério, sem uso adequado de materiais individuais ou
coletivos de proteção, expostos por longos períodos de tempo a poeira de sílica.
Em pequenos estabelecimentos de
trabalho, como os relatados no presente artigo, a maioria é dirigida por
pequenos mineradores. O grande lucro e riqueza fácil, que tradicionalmente são
atribuídas à atividade mineral, se existem com a exploração mineral em Pedra
Lavrada, não foram registradas durante a visita da equipe de pesquisa e nem
podem ser percebidas na imagem anexa. Sendo assim, a culpa, da ocorrência
destes casos de silicoses em uma pequena cidade, com renda per capita de R$ 3.300,00 – IBGE (2007), não devem ser atribuídas a
pequenos mineradores que precisam do dinheiro da mineração para suas
subsistências.
Estas formas de trabalho, embora
primitivas e que contrastam diametralmente com as sofisticadas indústrias de
vidros e equipamentos eletrônicos da qual são os primeiros fornecedores, não
podem violentamente serem reprimidas e condenadas. Representam a fonte de renda
de cerca de um quinto da população daquele município e são fontes de matérias-primas
imprescindíveis para algumas das indústrias atuais. O que é necessário, tanto
em Pedra Lavrada, como em outros locais do mundo, são mecanismos eficazes de
Saúde Coletiva, que combatam doenças facilmente preveníveis por meios primários
de prevenção.
Embora possa parecer distante e surreal
a aplicação de métodos de proteção coletiva, como a umidificação do ambiente de
trabalho em uma das regiões mais áridas do Brasil, juntamente com os meios
individuais de proteção, isto se torna algo necessário e urgente quando se
imagina a quantidade de homens jovens, com cerca de 40 a 50 anos de idade, que
perdem suas vidas devido ao trabalho.
Trata-se de um quadro dramático. São
homens que há poucos dias exerciam atividades exaustivas, com necessidade da
plenitude de suas forças físicas e que com a manifestação da doença, se veem
acamados ou impossibilitados de realizarem mínimos esforços. São formadas
gerações de órfãos e viúvas com o desolador padecimento do ente próximo. A
silicose é uma doença, que interliga da sua origem e no seu fim, preocupantes
problemas sociais.
Trata-se de um grave problema social e
de saúde que perdura devido à ingerência e descaso daqueles que podem fazer
algo para evitá-lo. Quando se sabe da gravidade de uma doença crônica, e de
rápida evolução para o óbito, torna-se mais interessante e racional o
direcionamento para a prevenção da mesma, e como método complementar, a
realização de rastreamento na população.
Como já discutido, isso pode parecer
difícil, embora seja necessário e uma obrigação dos que podem fazê-lo. Afinal,
qual seria o fundamento da ciência, especialmente em um campo do saber tão
voltado às necessidades mais imediatas do indivíduo, como a medicina, se não
ser usada em benefício de quem precisa?
Referências Bibliográficas
AMERICAN
THORACIC SOCIETY (ATS) / CENTERS FOR DISEASE CONTROL AND PREVENTION (CDC). Targeted tuberculin testing and treatment of
latent tuberculosis infection. MMWR Recomm Rep, v. 49, n. RR-6, p. 1-51,
jun. 2000. Disponível em:
. Acesso em: 29 de julho de 2010.
BON, Ana Maria
Tibiriça; SANTOS, Alcinéia M. dos Anjos. Sílica – Exposição Ocupacional.
Fundacentro, São Paulo.
Disponível em:
Acesso em: 29 de julho
de 2010.
BRASIL. Decreto-lei n. 79037, de 24 de dezembro de 1976.
Regulamenta o seguro de acidentes do trabalho. Diário Oficial da União, Brasília,
n. 246, p. 1-24, 31 dez. 1976. Seção
1, pt. 1.
BRASIL. Decreto-lei n. 3048, de 06 de maio de 1999.
Aprova o regulamento
dos benefícios da Previdência Social e dá outras
providências. Diário Oficial da União, Brasília, n.86, p. 50 a 108, 07
mai. 1999. Seção 1.
CARNEIRO, Ana Paula Scalia et al. Perfil de 300
trabalhadores expostos à sílica atendidos ambulatorialmente em Belo Horizonte. Jornal de Pneumologia, v.28, n.6, p.
329-34. São Paulo, nov – dez. de 2002. Disponível em:
. Acesso em: 29
de julho de 2010.
CENTERS FOR
DISEASE CONTROL AND PREVENTION (CDC). Criteria for a recommended standard...
Occupational exposure to crystaline silica. Washington, 1974. Disponível em:
. Acesso em: 29 de julho de 2010.
______. Silicosis deaths among young adults - United
States, 1968-1994. MMWR Morb Mortal Wkly Rep. Volume 47, n. 16, p. 331-5.
Maio de 1998. Disponível em: . Acesso em: 29 de julho de 2010.
FERREIRA, Ângela Santos et al. Fibrose maciça
progressiva em trabalhadores expostos à sílica. Achados na tomografia
computadorizada de alta resolução. Jornal
Brasileiro de Pneumologia, v. 32, n. 6. São Paulo, nov-dez. de 2006.
Disponível em: <
http://www.scielo.br/scielo.php?pid=S1806-37132006000600009&script=sci_arttext
>. Acesso em: 29 de julho de 2010.
FILHO, Mário Terra; SANTOS, Ubiratan de Paula. Silicose. Jornal Brasileiro de Pneumologia, v. 32, s. 2, cap. 7, p. 59-65.
São Paulo, mai. 2006. Disponível em:
< http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S1806-37132006000800008
>. Acesso em: 29 de julho de 2010.
FRANCO, A. R. Silicose pulmonar em, trabalhadores
de pedreiras de Ribeirão Preto — Estado de São Paulo, 1972. Ribeirão
Preto, 1974. [Dissertação mestrado — Faculdade de Medicina de Ribeirão Preto
USP].
HOLANDA, Márcia Alcântara et al. Silicose em
cavadores de poços da região de Ibiapaba (CE): da descoberta ao controle. Jornal de Pneumologia, v. 25, n.1, p. 1
– 11, jan – fev. de 1999. Disponível em:
< http://www.jornaldepneumologia.com.br/PDF/1999_25_1_3_portugues.pdf
>. Acesso em: 29
de julho de 2010.
HUNTER, D. The
diseases of occupations. London, The English Universities
Press, 1969.
INSTITUTO BRASILEIRO DE GEOGRAFIA E
ESTATÍSTICA (IBGE). Demográfico de Censo: Divulgação de resultados 2007.
[consecutivo on-line]. Disponível em: <
http://www.ibge.gov.br/home/estatistica/populacao/contagem2007/contagem_final/tabela1_1_12.pdf
> Acesso em: 29 de julho de 2010.
INTERNATIONAL
AGENCY FOR RESEARCH ON CANCER (IARC). Silica,
some silicates, coal dust and para-aramid fibrils. Lyon, 1997. [IARC
Monographs on the
Evaluation of
Carcinogenic Risks to Humans].
KISS,
Alexandre; SHELDON, Dinah. Manual of
European Environmental Law. 2 ed. Cambridge:
Grotius Publications, Cambridge University Press, 1997.
LOPES, Antônio Carlos. Tratado de Clínica Médica. 1. ed. São Paulo: Roca, 2006, v.1, p.
241.
MENDES, René. Estudo epidemiológico sobre a silicose
pulmonar na Região Sudeste do Brasil, através de inquérito em pacientes
internados em hospitais de tisiologia. Revista
de Saúde Pública, v.13, n.1, p. 7-19. São Paulo, mar. 1979. Disponível em:
<
http://www.scielosp.org/scielo.php?pid=S0034-89101979000100002&script=sci_arttext
>. Acesso em: 29 de julho de 2010.
______. Medicina do Trabalho e Doenças Ocupacionais.
São Paulo: Savier, 1980.
______. O impacto dos efeitos da ocupação sobre a saúde
de trabalhadores. I.
Morbidade. Revista
de Saúde Pública, v.22, n.4. São Paulo, ago. 1988. Disponível em:
<
http://www.scielosp.org/scielo.php?pid=S0034-89101988000400007&script=sci_arttext
>. Acesso em: 29 de julho de 2010.
MINISTÉRIO DA SAÚDE / ORGANIZAÇÃO PAN-AMERICANA DA SAÚDE
(OPAS). Doenças Relacionadas ao Trabalho:
Manual de Procedimentos para os Serviços de Saúde. São Paulo, 2001, p.340.
NOGUEIRA, Diogo Pupo. Pneumoconioses. Revista Médica. São Paulo, 1956.
NOGUEIRA, Diogo Pupo et al. Ocorrência de silicose
entre trabalhadores da indústria cerâmica da cidade de Jundiaí, SP (Brasil). Revista de Saúde Pública, v.15, n.3. São
Paulo, jun. 1981. Disponível em: < http://www.scielo.br/scielo.php?pid=S0034-89101981000300003&script=sci_arttext
>. Acesso em: 29 de julho de 2010.
RIBEIRO, Fátima Sueli Neto et al. A Exposição
ocupacional à sílica no Brasil. Revista
Ciência & Saúde Coletiva, São Paulo, v. 8, s. 1 e 2, 2003.
________. Exposição ocupacional à sílica no Brasil no ano
de 2001.
Revista Brasileira de
Epidemiologia, v.11,
n.1, p. 89-96. São Paulo, 2008. Disponível em: <
http://www.scielosp.org/pdf/rbepid/v11n1/08.pdf >. Acesso em: 29 de julho de 2010.
ROCHA, L. E. et al.
Istoé Trabalho de Gente? Vida, Doença e Trabalho no Brasil. São Paulo:
Vozes, 1993.
Segurança e Medicina do Trabalho: lei 6514/77 e Portaria
3214/78. 47a ed. São Paulo: Atlas, 2000 [Manual de Legislação].
SHERSON, D.;
LANDER, F. Morbidity of pulmonary tuberculosis among silicotic and nonsilicotic
foundry workers in Denmark. J Occup Med, v. 32, n. 2, p. 110-3. Dinamarca,
fev. 1990. Disponível em: < http://www.ncbi.nlm.nih.gov/pubmed/2303918 >.
Acesso em: 29 de julho de 2010.
Assinar:
Postagens (Atom)


